Com a IA, vantagem competitiva deixa de ser executar

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Por Sarita Besada, VP de Operações CX da Concentrix Brasil.

Durante décadas, o conhecimento foi um dos principais ativos das organizações. Saber mais, dominar processos e acumular experiência técnica eram fatores que diferenciavam profissionais e empresas. Hoje, esse cenário está mudando rapidamente. A inteligência artificial já executa atividades que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente da capacidade analítica humana. Ela pesquisa, resume informações, produz conteúdo, identifica padrões, faz recomendações e apoia decisões em velocidade e escala inéditas.

O conhecimento continua sendo importante, mas deixou de ser um recurso escasso. Em um ambiente em que informações e modelos de IA estão amplamente disponíveis, o que diferencia uma organização não é apenas o acesso ao conhecimento, mas sua capacidade de interpretar contextos, estabelecer prioridades, fazer escolhas consistentes e assumir responsabilidade pelos resultados dessas decisões.

No Customer Experience, por exemplo, a IA amplia significativamente a eficiência operacional. Agentes inteligentes conseguem resolver solicitações simples, antecipar demandas, personalizar recomendações e oferecer atendimento contínuo.

A experiência do cliente é formada por inúmeros momentos de decisão. Quando uma situação foge do padrão, quando existe insatisfação, quando uma negociação exige flexibilidade ou quando uma solução precisa considerar aspectos que extrapolam regras previamente definidas, entram em cena competências que permanecem essencialmente humanas.

Durante muito tempo, valorizamos profissionais pela capacidade de executar processos com precisão. Agora, à medida que a execução se torna cada vez mais automatizada, cresce a importância de competências como pensamento crítico, capacidade de síntese, criatividade e tomada de decisão. Não significa que o conhecimento técnico perdeu valor. Pelo contrário. Ele continua sendo a base para decisões de qualidade. O que muda é que conhecimento, isoladamente, já não basta. O diferencial passa a estar na capacidade de conectar informações, compreender impactos, avaliar riscos e transformar dados em escolhas inteligentes.

O consumidor valoriza proximidade, flexibilidade e capacidade de adaptação. A tecnologia pode acelerar processos e ampliar a personalização, mas cabe às empresas decidir como utilizá-la para fortalecer, e não enfraquecer, o relacionamento com seus clientes.

As empresas que compreenderem essa mudança usarão a IA para ampliar capacidades humanas, e não apenas para reduzir custos. Afinal, em um mundo em que executar tende a se tornar commodity, serão as decisões e a qualidade delas que definirão a experiência do cliente, a reputação das marcas e a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.

“Agora, à medida que a execução se torna cada vez mais automatizada, cresce a importância de competências como pensamento crítico, capacidade de síntese, criatividade e tomada de decisão”

Este artigo foi originalmente publicado em Jornal do Comercio em Agosto de 2026. Você pode ver a matéria original aqui.

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